sexta-feira, 15 de julho de 2016

I Jornadas em Territórios Comunitários (baldios)
A emergência de um novo ciclo nos terrenos comunitários
UTAD, Vila Real 23 de Maio de 2016

SÍNTESE CONCLUSIVA
I. Sobre a organização
O aumento e o aperfeiçoamento dos contatos e parcerias entre as instituições ligadas aos terrenos comunitários (baldios) são fundamentais para que estes territórios  estabeleçam uma rede sólida de partilha de conhecimentos e informação. A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (Cetrad, CIFAP, DESG), em parceria com a Baladi, a Forestis e a florestais-da-utad, promoveram as I Jornadas conjuntas em territórios comunitários  : A emergência de um novo ciclo nos terrenos comunitários, que ocorreram na UTAD - auditório de ciências florestais. As inscrição gratuitas, porém obrigatórias realizaram-se junto do departamento florestal.
II. Sobre o universo de participação nas jornadas
Total de inscritos: 123
Total de participantes: 96
 - Por género:                   30% do sexo feminino
                                             70% do sexo masculino
 - Por instituição :            42%  Academia / Ensino
                                            25 % Associações /organizações de baldios
                                             15 % Administração central/ local
                                            6 % Empresas 
                                            12% outros
- Por distrito:                    70% Vila Real
                                            8% Lisboa
                                            6 % Bragança
                                            4 % Viana do Castelo
                                            2% Porto
                                            10% outros





III. Sobre o conteúdo programático
O programa sofreu pequenas alterações, a mais significativa foi a ausência de dois representantes dos partidos com assento na Comissão de Agricultura e Mar: o do CDS (não designou representante) e do deputado Luis Pedro Pimentel (justificou a sua ausência) em representação do PSD. Esta circunstância empobreceu o debate.
Sessão de Abertura 14:20 H
               - UTAD: Vice Reitor Artur Cristovão - Pela reitoria o Professor Artur Cristóvão desejou as boas vindas aos participantes, congratulou-se com a iniciativa bem como com o propósito das jornadas - aumentar e aperfeiçoar as parcerias entre as instituições ligadas aos terrenos comunitários centrando o debate na  UTAD.
               - Baladi: Armando Carvalho - Felicitou os participantes, sublinhando que  desde do primeiro momento a Baladi  participou entusiasticamente na organização deste evento, bem como a sua importância  na prossecução dos objectivos da Baladi. 
               - Forestis: Rosário Alves - Cumprimentou todos os  participantes, referiu a importância dos baldios e a oportunidade deste jornadas, dado o quadro legislativo de alteração à lei dos baldios.
               - florestais-da-utad: Calçada Duarte Enquadrou as motivações da florestais-da-utad na coorganização das Jornadas nas dimensões estatutária e temática. Nesta última, referiu que os florestais da UTAD, tendo já provas dadas também na gestão e promoção dos baldios, estão prontos para responder aos desafios técnicos que se colocam à gestão desses territórios, desde logo o reassumirem-se como áreas de demonstração de boas práticas e de gestão activa. Na nota de agradecimento, enalteceu o apoio manifestado desde a primeira hora pelo Professor Oliveira Batista e pelo presidente da Comissão Parlamentar da Agricultura e do Mar e pela SEDRF - Eng. Joaquim Barreto.
               - Comissão de Agricultura e Mar: Joaquim Barreto: Elevou o carácter multi organizacional das jornadas (UTAD, Baladi, Forestis e Florestais-da-UTAD), bem como o local da sua realização-  região Norte e numa universidade ligada ao ensino e investigação das ciências florestais. Referiu o processo legislativo  associado aos baldios na Comissão de Agricultura e Mar: A Assembleia da República (AR) deliberou  fazer cessar a nova    regulamentação da Lei dos Baldios o que justifica a oportunidade do debate em torno do rural e dos baldios - é necessário um novo ciclo de desenvolvimento para os territórios de baixa densidade: Os baldios já não são o que eram, tendo hoje um conjunto de actividades (eólicas, pedreiras...) que produzem muito rendimento aos compartes....



1ªsessão: 14:40m
Oliveira Baptista (orador e moderador) . O processo de desenvolvimento: A emergência de um novo ciclo nos terrenos comunitários – do comunitarismo agrícola ao desenvolvimento rural. O problema dos baldios não é só legal, é também da relação dos compartes e da sociedade com estes territórios. 
               Armando Carvalho:  Baladi - começou por cumprimentar a Mesa que presidiu aos trabalhos e todos os presentes, referiu-se à pertinência destas jornadas, enumerando a ideia subjacente à visão da Baladi sobre os 40 anos da saída da 1ª Lei dos Baldios, chamando atenção para a nova emergência deste novo ciclo da gestão dos baldios. Enumerou alguns dos principais constrangimentos ao desenvolvimento dos baldios, que na opinião da BALADI vão desde as questões demográficas das comunidades baldias, ao continuado desconhecimento do quadro legal dos baldios, às várias figuras de ordenamento existentes e à forma como funcionou a actual figura da co-gestão. Referiu ainda, alguns dos pressupostos históricos que estão na origem do novo paradigma da gestão dos baldios. Chamou a atenção para a relação hoje do binómio baldio e comunidade local, suas mutações que ocorreram e ocorrem neste espaço, a passagem de uma gestão complementar tradicional que se afirmava numa base das economias locais de satisfação dos compartes, para outros modelos de gestão de economia de desenvolvimento local e solidário; irradiando áreas do terceiro sector de economia, mantendo um esforço continuado em investimentos tradicionais mas direccionando muitos dos seus investimentos para centros de lares de idosos, equipamentos sociais, recreativos, culturais e religiosos, com a criação de Instituições Particulares de Solidariedade Social –IPSS, criando emprego e impulsionando por esta via o desenvolvimento local e regional. Finalizando, chamou a atenção para a panóplia dos recursos naturais dos baldios, como a verdadeira alavanca de um desenvolvimento sustentável do mundo rural, desde que os vários poderes públicos cumpram com as suas obrigações constitucionais. Em termos de desafios futuros, é da opinião que no actual contexto, e para um maior aproveitamento dos recursos dos baldios e o envolvimento dos compartes serranos em toda a cadeia de gestão, se deve alterar a actual lei dos baldios.
               Rosário Alves: Forestis - depois de fazer uma síntese do  enquadramento institucional da Forestis, referiu que esta organização tem trabalhado com os baldios, nomeadamente na elaboração dos planos de utilização dos Baldios - Pub´s e que os territórios comunitários  representam um importante espaço para a prática da silvicultura por parte dos seus associados.  Referiu ainda que a Forestis está a acompanhar, com relativa proximidade,  o processo legislativo relacionado com as alterações ao quadro legislativo dos  baldios.
Luis Lopes: revisitar o PNVTC - focou a sua intervenção no processo de elaboração do Programa Nacional para Valorização dos Territórios Comunitários (PNVTC), em particular na discussão pública. O PNVTC como instrumento de política pública, pertence ao passado e "o passado já não existe", porém no presente poderá verifica-se a incorporação de alguns vetores estratégicos do PNVTC. Concluiu da oportunidade de uma plataforma do conhecimento dos territórios comunitários localizada em Vila Real. A emergência do novo ciclo, não será promovida exclusivamente pelas alterações legislativas,  terá que passar pelo valorização dos serviços de ecossistema associados a estes territórios e pelo reencontro dos fundamentos que possam legitimar a propriedade comunitária por oposição à propriedade privada.

Debate
O debate centrou-se em torno das seguintes questões: restrições de uso nas Áreas Protegidas; limites das Unidades de Baldio; utilização das receitas; desafios de gestão; bens intangíveis; pastoreio; rede primária; policiamento das áreas; fiscalização da gestão; cogestão; papel dos Serviços Florestais (ICNF)

2ªsessão : 16:30m
Moderador: Luis Lopes
António Bica: O quadro histórico e legal dos baldios O processo legislativo: redefinição da propriedade comunitária, fundamentos de legitimação .
               Pedro Soares (BE)
Centrou a sua intervenção na apresentação dos aspetos essências do Projeto de Lei apresentado pelo grupo parlamentar do BE (PROJETO DE LEI N.º 162/XIII/1.ª): definição de comparte; cessão de exploração; cogestão e competências dos compartes.
               Francisco Rocha (PS)
Sublinhou que o Projeto de Lei do grupo parlamentar do PS ainda está em fase de elaboração, sendo já clara a intensão de dar centralidade à assembleia de Compartes. Aduzindo notas dessa centralidade, sublinhou também a importância do cadastro.
               João Ramos (PCP)
Assumindo que a questão dos baldios é também matéria ideológica, esclareceu que o Projeto de Lei do grupo parlamentar do PCP, apesar de ainda não ter dado entrada, está centralizado na soberania dos compartes. Referindo alguns exemplos desta soberania, defendeu a retirada dos baldios do comércio jurídico.
              
Debate
O debate centrou-se em torno das seguintes questões: poderes do Conselho Diretivo; património edificado; desafios da nova legislação; posição do Estado (ICNF).
Na intervenção final dos elementos da mesa, a representante da Forestis referiu a importância de se refletir sobre o papel do Estado (ICNF) na cogestão; o representante da Baladi mostrou satisfação pelo caminho que está a ser seguido, fazendo votos para que o Estado se saiba finalmente posicionar em matéria de cogestão; o Dr. António Bica referiu que a cogestão é lesiva , pois é o regresso ao pré-25 de abril; os representantes presentes dos grupos parlamentares sublinharam que sempre que cogestão não for aceite por ambas as partes, então deverá ser renunciada por uma delas.

Sessão de encerramento - 16:20 H

               CIFAP:  José Aranha;

               Cetrad: Ana  Alexandra ;

               SEFDR:  João Pinho  - vice-presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Conservação da               Natureza e Florestas – ICNF, em representação do Sr. Secretário de Estado das Florestas e               do Desenvolvimento Rural.
Como elemento comum, todos os intervenientes sublinharam a oportunidade e o sucesso das Jornadas. O Vice-presidente do ICNF fez uma abordagem aos baldios e aos bens por eles fornecidos, sublinhando duas notas finais: a presença do ICNF na cogestão de cerca nove centenas de Unidades de Baldio, e o valor que o ICNF pode acrescentar a este tipo de iniciativas.

Nota final
- No processo legislativo em curso parece existir vários pontos em comum entre as propostas de projectos de lei do PS, BE e PCP;

- É importante reiterar e ampliar a organização destas jornadas envolvendo todos os intervenientes: Academia; decisores políticos, administração central e local, compartes e suas associações...

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