Contributo da florestais-da-utad no âmbito da consulta pública da designada "Reforma das Florestas"
1. Nota de enquadramento
É do conhecimento público que a florestais-da-utad enviou,
em 17 de outubro último, uma "Carta Aberta" ao Governo e ao
Parlamento, na figura dos excelentíssimos Senhores Ministro da Agricultura, das
Florestas e do Desenvolvimento Rural (coordenador do grupo interministerial) e
Presidente da Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar. Foi uma iniciativa de apelo
à resolução das causas profundas e estruturais que estão na
base da degradação dos espaços florestais e foi uma iniciativa de defesa de um
conjunto de medidas de superação dessas causas, então designadas de "revolução
florestal".
Em 27 de outubro, em conselho de Ministros extraordinário dedicado
às florestas, o Governo aprovou doze medidas legislativas que designou de
"reforma das florestas". Destas doze, dez foram submetidas a debate
público alargado, de modo a envolver a administração central, as autarquias, a
comunidade académica e a sociedade em geral.
Após envio da Carta Aberta, a florestais-da-utad assumiu uma posição
responsável e pró-ativa na apresentação e debate da "reforma das florestas".
Participou, por moto-próprio, em várias sessões públicas oficiais de
apresentação e discussão do pacote legislativo e foi coorganizadora, com a UTAD
e com o colégio de Engenharia Florestal da Ordem dos Engenheiros, da
conferência intitulada “Revolução ou inércia - o pacote
legislativo em debate”, realizada em
Vila Real no passado dia 13, com a presença do Senhor Secretário de
Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural.
O envolvimento profundo no processo de discussão pública e a
discussão interna junto dos associados, são estímulos bastantes para a florestais-da-utad manifestar a sua
posição relativamente à designada "reforma florestal"
que, infelizmente, fica aquém das suas expectativas.
Com
estas propostas legislativas, tal como foram apresentadas, será difícil
alcançar o alargado consenso pedido pelo Sr. Ministro da Agricultura, das
Florestas e do Desenvolvimento Rural, com a agravante que só um consenso
alargado, pela continuidade de politicas que responsabiliza, abrirá caminho ao
sucesso das nossas florestas.
4. Conclusões
Para a florestais-da-utad, a designada "reforma das florestas"
tem, como mérito maior, o trazer para a ordem do dia a discussão das questões
florestais. Está, por isso, o Governo de parabéns.
Ainda assim, este será um mérito
inconsequente, uma vez que para a florestais-da-utad
o "pacote legislativo" não preenche, na forma e na substância,
o espírito reformador que o setor florestal exige.
Para
a florestais-da-utad está em falta:
- A
elaboração do Código Florestal, eliminando a teia dispersa e inoperante
da legislação de âmbito florestal. A
existência de um Código Florestal reduzirá o
stock legislativo disponibilizando, à sociedade em geral e ao técnico florestal
em particular, uma versão consolidada da
toda a legislação estruturante para o setor;
- A
consolidação da Engenharia Florestal, enquanto profissão que se identifica com
os interesses e os problemas da produção e dos proprietários florestais;
- Uma nova abordagem estratégico-institucional aos Serviços
Florestais, criando uma administração florestal pública comprometida e atuante
com o setor, em particular com as florestas públicas e comunitárias;
- Um maior conhecimento e investigação científica das florestas e
das dinâmicas associadas;
-
Uma aposta clara no associativismo florestal e na dinamização das ZIF, tendo
fundadas dúvidas que estas organizações tendam a evoluir para o modelo de Sociedades
de Gestão Florestal;
- O incentivo à atividade empresarial das sociedades não
financeiras prestadoras de serviços florestais, independentemente da modelo
SGF;
- Uma aposta direta na gestão profissional das nossas florestas
potencializando a relação proprietário florestal /técnico florestal.
Neste sentido a florestais-da-utad
continuará presente e recetiva à
procura do alargado consenso que garanta o sucesso das nossas florestas.
Vila Real, 31 de Janeiro de 2017
A direção
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